Especialista atua há 16 anos na área, desenvolve trabalho social em comunidades indígenas e defende a ampliação do acesso aos cuidados com os pés.

A trajetória de Zamita Tolentino dos Santos mistura experiência profissional, busca constante por conhecimento e um trabalho voltado a levar a podologia para além dos limites do consultório.
Mãe de quatro filhas e avó de sete netos, Zamita chegou a Maracaju ainda adolescente, aos 14 anos. Anos depois, construiu uma carreira dedicada à saúde dos pés e hoje soma 16 anos de atuação na podologia. Em Maracaju, atende desde 2016.
Ao longo da carreira, buscou especializações voltadas principalmente a casos que exigem atenção diferenciada. Sua formação inclui conhecimentos em pé diabético, micologia e tratamento de feridas nos pés, além de estudos na área da saúde. Atualmente, segue ampliando sua formação acadêmica e cursa sua segunda graduação, em Biologia.
Para Zamita, no entanto, o conhecimento adquirido ao longo dos anos também precisa chegar a quem enfrenta dificuldades de acesso a atendimento especializado.
É com esse propósito que desenvolve o projeto social Pé nas Aldeias, levando atendimentos de podologia a comunidades indígenas da região. O trabalho alcança aldeias como Cabeceira, Água Branca, Brejão e Taboquinha, no município de Nioaque, atendendo integrantes das etnias Terena e Kinikinau.
A iniciativa traduz uma das principais bandeiras defendidas pela profissional: fazer com que a podologia seja compreendida não apenas como um cuidado estético, mas como uma área diretamente relacionada à prevenção e à saúde.
“A dificuldade é fazer com que as pessoas entendam que a podologia salva vidas”, afirma.
A preocupação ganha ainda mais importância quando envolve pacientes diabéticos. Alterações aparentemente pequenas nos pés podem exigir acompanhamento especializado e, quando negligenciadas, evoluir para problemas mais graves.
Inovação e reconhecimento
A atuação de Zamita também avançou para o desenvolvimento de produtos. Entre eles está a Mellitozam, descrita pela profissional como uma pomada regeneradora voltada, entre outras aplicações, aos cuidados relacionados ao pé diabético.
Outro produto desenvolvido por ela é o Clavozam, de ação antifúngica.
Sua trajetória profissional também recebeu reconhecimento fora de Mato Grosso do Sul. Em 2023, Zamita conquistou a primeira colocação no 1º Concurso de Podologia CIP, realizado durante o 28º Congresso Internacional de Podologia.
Entre consultório, estudos, projetos e atendimentos sociais, Zamita mantém como prioridade aquilo que deu sentido à sua trajetória profissional: a saúde dos pés.
Para o futuro, o objetivo é ampliar esse alcance. Mais do que expandir a própria atuação, ela pretende contribuir para que pessoas que hoje ainda estão distantes desse tipo de cuidado também possam recebê-lo.
“Quero conseguir levar a podologia ao alcance de todos.”
É uma meta que resume uma trajetória construída entre conhecimento e atendimento: fazer da podologia uma ferramenta de prevenção, cuidado e qualidade de vida, seja dentro de um consultório em Maracaju ou em uma aldeia a quilômetros da cidade.
Por Renan Teles.



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